O problema

Em dez anos, o Brasil fechou 13.147 veículos de imprensa.

Esse número não vem de estimativa: vem da manutenção diária da maior base de jornalistas do país. Os Estados Unidos, que contam a mesma coisa há vinte anos, mostram onde a curva vai dar. E há um terceiro dado que muda o assunto de lugar: a inteligência artificial já constrói a reputação de marcas e pessoas lendo, sobretudo, o conteúdo que ninguém paga para produzir.

Brasil · dado próprio · 2014–2024 EUA · série 2005–2025 Reputação e IA · 2026
Termômetro da Imprensa I'Max

Dez anos de mídia que se foram

Veículos de imprensa que surgiram e que fecharam no Brasil entre 2014 e 2024, medidos pela manutenção contínua da base da I'Max — o maior mailing de imprensa do mercado.

10.795
Veículos criados no período
13.147
Veículos removidos no período
−2.352
Saldo dos dez anos
Termômetro da Imprensa I'Max: veículos de imprensa criados, removidos, diferencial anual e acumulado no Brasil, de 2014 a 2024.
Ano Criados Removidos Diferencial Acumulado
20146021.177 −575 −575
20155581.986 −1.428 −2.003
2016658806 −148 −2.151
20171.177675 +502 −1.649
2018800416 +384 −1.265
20191.027488 +539 −726
20209191.622 −703 −1.429
20216892.405 −1.716 −3.145
20221.3372.911 −1.574 −4.719
20231.451490 +961 −3.758
20241.577171 +1.406 −2.352
Total10.79513.147 −2.352−2.352

A série sai ano a ano. Cada passo abre um endereço próprio, que dá para guardar ou mandar para alguém.

Clique numa coluna de números para reordenar a tabela.

Os dois últimos anos da série são positivos: +961 em 2023 e +1.406 em 2024. Mas o acumulado do período ainda é de −2.352 veículos, e o fundo do poço, em 2022, chegou a −4.719. Quem fechou não volta: um veículo de cem anos que encerra leva junto o arquivo, as fontes, a confiança construída com o leitor e, muitas vezes, a única pessoa que ia às sessões da câmara municipal.

Como medimos: é uma contagem operacional da imprensa brasileira dentro da nossa própria base. A IA SpamCortex ajuda a catalogar os movimentos da imprensa ano a ano. Não é projeção estatística nem amostra de terceiros: é o que efetivamente entra e sai do maior mailing de imprensa do mercado. O retrato de 2014 a 2024 foi o ponto de partida para criarmos o Mais Pelo Jornalismo (MPJ).

O número não conta tudo. As mais de 10 mil mídias criadas no período não ocupam o mesmo lugar que as que fecharam: fidelizar audiência leva tempo e dinheiro, e há veículos que nasceram e morreram entre duas contagens, sem nunca entrar na estatística. Somam-se a isso os republicadores automáticos, sem curadoria jornalística, que engordam a coluna dos criados e não colocam um repórter na rua.

Para onde a curva aponta

Os Estados Unidos contam a mesma coisa há vinte anos

A Northwestern University acompanha desde 2005 cada veículo que abre e fecha no país. O relatório de 2025 fechou a segunda década de série — e é o retrato de um mercado que percorreu inteira a curva em que o Brasil está no meio.

3.500
jornais desapareceram em vinte anos
Um em cada quatro americanos ficou com acesso limitado a um jornal impresso da sua região.
148
sumiram só no último ano
Fechamentos e fusões somados: pouco mais de dois por semana, na contagem do relatório.
212
condados sem nenhuma fonte de notícia
Eram 206 no ano anterior e pouco mais de 150 em 2005. A curva não parou de subir.
1.525
condados com uma única fonte
Em geral um semanário. Se ele fechar, o lugar entra na conta de cima.
50 mi
de pessoas com acesso limitado ou nenhum
É quanta gente vive nesses condados sem cobertura ou com uma só fonte.
−75%
dos empregos em jornais desde 2005
Mais de 270 mil postos perdidos. Restavam 91.550 pessoas em toda a indústria de jornais em 2024.

O encolhimento não é só de empresas: é de gente apurando. Hoje há cerca de 42 mil jornalistas nos Estados Unidos, e menos de um terço deles trabalha em jornal — em 2005, os jornais empregavam 71% de todos os repórteres do país. Em metade dos estados americanos sobraram menos de mil trabalhadores de jornal.

E a migração para o digital não compensou: nos últimos quatro anos, as visitas mensais aos sites dos cem maiores jornais caíram, em média, mais de 40%.

Fonte: The State of Local News 2025, Medill Local News Initiative, Northwestern University (out. 2025). Dados de emprego a partir do Bureau of Labor Statistics, ano-base 2024.

Por que isso é assunto de quem se comunica

Reputação virou a prioridade — e quem escreve a sua agora é a máquina

Reputação é hoje a palavra mais repetida na comunicação corporativa. O que mudou é onde ela se forma: já não é só na percepção de quem lê a notícia, é na resposta que a inteligência artificial dá quando alguém pergunta sobre a sua marca. E essa resposta é montada, na esmagadora maioria, com mídia espontânea.

26%
apontam reputação como a maior prioridade do ano
Mais do que qualquer outra resposta entre líderes de comunicação corporativa ouvidos pela Deloitte para 2026.
84%
das citações das IAs vêm de mídia espontânea
Em mais de 25 milhões de links citados por ChatGPT, Claude e Gemini. O índice se manteve entre 82% e 89% desde 2025.
27%
vêm de jornalismo, especificamente
Mais de um quarto de tudo o que as IAs citam é apuração feita por uma redação.
0,3%
é o que sobra para conteúdo pago
Anúncio e publieditorial quase não entram na conta. Não dá para comprar a resposta.
51,1%
das fontes do ChatGPT são notícia ou mídia espontânea
Numa leitura independente de 5,35 milhões de citações em oito modelos diferentes.
3.749
fazendas de conteúdo de IA já catalogadas
Sites de "notícia" gerados por robô, sem supervisão humana, em 16 idiomas — o português entre eles.

A conta que não fecha

  1. A reputação passou a ser construída por terceiros. O que a máquina cita é o que foi publicado por quem não tem relação comercial com a marca — e é justamente isso que dá credibilidade à citação.
  2. Esse conteúdo é o único que ninguém remunera. A empresa paga a assessoria, paga a mídia, paga a plataforma. O texto jornalístico que sustenta a reputação dela na resposta da IA foi produzido por uma redação que não recebeu nada por isso — e que, nos números acima, está fechando.
  3. Onde a apuração some, o espaço não fica vazio. Ele é ocupado por quem produz em escala e custo quase zero. Nos Estados Unidos, os sites de notícia local falsa já passaram os jornais diários reais: eram 1.265 contra 1.213 em junho de 2024.
  4. E a máquina lê os dois. Uma IA que precisa de mídia espontânea para responder sobre a sua marca vai buscá-la onde houver — inclusive numa fazenda de conteúdo que aprendeu a parecer um jornal.

Mídia espontânea sem jornalismo remunerado não desaparece: ela vira espaço para fake.

Fontes: Generative Pulse — What is AI reading?, Muck Rack (mai. 2026; 25 milhões de links, 17 setores) · GenAI Lens, Meltwater (abr. 2026; 5,35 milhões de citações em oito modelos) · 2026 Corporate Affairs Report, Deloitte (42 entrevistas com líderes de corporate affairs, majoritariamente FTSE 100) · AI Tracking Center, NewsGuard (jun. 2026) e Sad Milestone, NewsGuard (jun. 2024).

O que fazemos a respeito

Onde falta notícia, nós colocamos um portal no ar.

O Mais Pelo Jornalismo (MPJ) é a resposta da I'Max a esses números: redesenho do portal de notícias, hospedagem, cibersegurança, e-mail corporativo e suporte técnico, sem contrapartida financeira do publisher — a contrapartida é produção jornalística. A meta é chegar a mil portais, cerca de 25 por estado, com 30% deles cobrindo um setor em vez de uma cidade.

Para quem contrata a I'Max, é o mesmo circuito fechando: a sua mensagem chega à redação certa, e parte do que a empresa fatura volta como redação no ar — a redação que a máquina vai citar quando perguntarem sobre você.

O jornalista cuida da pauta; a tecnologia é com a gente.