Esse número não vem de estimativa: vem da manutenção diária da maior base de jornalistas do país. Os Estados Unidos, que contam a mesma coisa há vinte anos, mostram onde a curva vai dar. E há um terceiro dado que muda o assunto de lugar: a inteligência artificial já constrói a reputação de marcas e pessoas lendo, sobretudo, o conteúdo que ninguém paga para produzir.
Veículos de imprensa que surgiram e que fecharam no Brasil entre 2014 e 2024, medidos pela manutenção contínua da base da I'Max — o maior mailing de imprensa do mercado.
| Ano | Criados | Removidos | Diferencial | Acumulado |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | 602 | 1.177 | −575 | −575 |
| 2015 | 558 | 1.986 | −1.428 | −2.003 |
| 2016 | 658 | 806 | −148 | −2.151 |
| 2017 | 1.177 | 675 | +502 | −1.649 |
| 2018 | 800 | 416 | +384 | −1.265 |
| 2019 | 1.027 | 488 | +539 | −726 |
| 2020 | 919 | 1.622 | −703 | −1.429 |
| 2021 | 689 | 2.405 | −1.716 | −3.145 |
| 2022 | 1.337 | 2.911 | −1.574 | −4.719 |
| 2023 | 1.451 | 490 | +961 | −3.758 |
| 2024 | 1.577 | 171 | +1.406 | −2.352 |
| Total | 10.795 | 13.147 | −2.352 | −2.352 |
A série sai ano a ano. Cada passo abre um endereço próprio, que dá para guardar ou mandar para alguém.
Clique numa coluna de números para reordenar a tabela.
Os dois últimos anos da série são positivos: +961 em 2023 e +1.406 em 2024. Mas o acumulado do período ainda é de −2.352 veículos, e o fundo do poço, em 2022, chegou a −4.719. Quem fechou não volta: um veículo de cem anos que encerra leva junto o arquivo, as fontes, a confiança construída com o leitor e, muitas vezes, a única pessoa que ia às sessões da câmara municipal.
Como medimos: é uma contagem operacional da imprensa brasileira dentro da nossa própria base. A IA SpamCortex ajuda a catalogar os movimentos da imprensa ano a ano. Não é projeção estatística nem amostra de terceiros: é o que efetivamente entra e sai do maior mailing de imprensa do mercado. O retrato de 2014 a 2024 foi o ponto de partida para criarmos o Mais Pelo Jornalismo (MPJ).
O número não conta tudo. As mais de 10 mil mídias criadas no período não ocupam o mesmo lugar que as que fecharam: fidelizar audiência leva tempo e dinheiro, e há veículos que nasceram e morreram entre duas contagens, sem nunca entrar na estatística. Somam-se a isso os republicadores automáticos, sem curadoria jornalística, que engordam a coluna dos criados e não colocam um repórter na rua.
A Northwestern University acompanha desde 2005 cada veículo que abre e fecha no país. O relatório de 2025 fechou a segunda década de série — e é o retrato de um mercado que percorreu inteira a curva em que o Brasil está no meio.
O encolhimento não é só de empresas: é de gente apurando. Hoje há cerca de 42 mil jornalistas nos Estados Unidos, e menos de um terço deles trabalha em jornal — em 2005, os jornais empregavam 71% de todos os repórteres do país. Em metade dos estados americanos sobraram menos de mil trabalhadores de jornal.
E a migração para o digital não compensou: nos últimos quatro anos, as visitas mensais aos sites dos cem maiores jornais caíram, em média, mais de 40%.
Fonte: The State of Local News 2025, Medill Local News Initiative, Northwestern University (out. 2025). Dados de emprego a partir do Bureau of Labor Statistics, ano-base 2024.
Reputação é hoje a palavra mais repetida na comunicação corporativa. O que mudou é onde ela se forma: já não é só na percepção de quem lê a notícia, é na resposta que a inteligência artificial dá quando alguém pergunta sobre a sua marca. E essa resposta é montada, na esmagadora maioria, com mídia espontânea.
Mídia espontânea sem jornalismo remunerado não desaparece: ela vira espaço para fake.
Fontes: Generative Pulse — What is AI reading?, Muck Rack (mai. 2026; 25 milhões de links, 17 setores) · GenAI Lens, Meltwater (abr. 2026; 5,35 milhões de citações em oito modelos) · 2026 Corporate Affairs Report, Deloitte (42 entrevistas com líderes de corporate affairs, majoritariamente FTSE 100) · AI Tracking Center, NewsGuard (jun. 2026) e Sad Milestone, NewsGuard (jun. 2024).
O Mais Pelo Jornalismo (MPJ) é a resposta da I'Max a esses números: redesenho do portal de notícias, hospedagem, cibersegurança, e-mail corporativo e suporte técnico, sem contrapartida financeira do publisher — a contrapartida é produção jornalística. A meta é chegar a , cerca de , com deles cobrindo um setor em vez de uma cidade.
Para quem contrata a I'Max, é o mesmo circuito fechando: a sua mensagem chega à redação certa, e parte do que a empresa fatura volta como redação no ar — a redação que a máquina vai citar quando perguntarem sobre você.
O jornalista cuida da pauta; a tecnologia é com a gente.